51

Completei esta semana 51 anos. Sem perceber ainda a razão, 51 anos parece-me gigante em significado. Muito mais do que 50. Talvez seja porque quando completei 50 nos, festejei a entrada numa nova década e numa nova era da minha vida e passei a pertencer ao clube das "cinquentonas", nada mais.

Mas saber-me com 51 anos... sinto-me enorme. Poderosa. Feroz. Com todo o caminho pela frente e com a gana toda de o percorrer.

Quando entrei nos 40, senti uma mudança brutal em mim: comecei natural e friamente a seleccionar quem eu permitia que entrasse no meu circulo, e a desapegar-me de quem finalmente tomei consciência que não me fazia bem, ao continuar nele.

A entrada nos 50 foi diferente... melhor. A triagem estava feita. Agora era a hora de iniciar outra selecção: que batalhas consideraria válidas travar e quais as que não; que tretas estaria disposta a continuar a aturar e quais as que, definitivamente, não.

Ao completar os meus 51 anos essa eleição continua, cada vez mais contundente. Ao ponto de iniciar outra revolução na minha vida, o término de uma relação amorosa de quase 7 anos.

Quando comecei a sentir verdadeiramente os efeitos da psico-terapia, por volta dos meus 44 anos, estranhei bastante. Uma vida inteira a viver em estado de alerta permanente, a sentir-me pequena, a ter pensamentos em loop constantes, a prover tudo e todos menos a mim... para depois, devagarinho, se ir instalando uma paz, uma serenidade, um silêncio interior... que eu desconhecia por completo. De repente questionei, mas quem sou eu agora? como lido com este novo estado de espirito? o que faço com estas novas emoções?

Graças à terapia, às minhas pessoas e à minha resiliente vontade de estar bem comigo própria, superei a estranheza. E hoje não questiono, apenas sinto e aceito o meu novo eu.

Sinto-me uma mulher extraordinária. Sou fenomenal. Nem todas as pessoas me aceitam. Muitas ficam amedrontadas. Não quero nem saber. 

O meu circulo hoje é muito pequeno. E adoro isso. Prezo a minha paz, os meus mais que tudo e a vida que tenho. Sinto curiosidade em saber o que ainda por aí vem. Anseio pelas viagens que quero fazer. Sonho com o futuro, na certeza de que me trará muito de bom.

Sempre persegui esta ideia da Felicidade, do Ser Feliz. Como se isso fosse algo material que colocavas na mão e tomavas para ti, como um pacote de bolachas. E agora a minha consciência é clara: Felicidade é estares em paz contigo, é saberes que os teus estão bem, é sentires a Vida a percorrer-te as veias; é chegares a casa depois de uma viagem espetacular e começares a planear a próxima; é ires almoçar com os teus filhos a um restaurante de fast-food no dia do teu aniversário e estares lá mais de 2 horas porque estivestes a conversar, a gargalhar, a jogar cartas... a viver o "aqui e agora".

A Vida não é complicada, de todo. Do alto dos meus 51 anos, percebo-o perfeitamente. Apenas é preciso saber vivê-la.

E é esse o super-poder que quero continuar a treinar, para sempre...